• a familia na comunicação social

pais & filhos

anaventura2.jpg

( serigrafia de Ana Ventura que gentilmente autorizou a sua publicação)

” O casamento termina, mas a familia continua estruturada em dois núcleos familiares – a casa da mãe e a casa do pai.”, in Casa da Mãe Casa do Pai, Isolina Ricci

Com a separação ou com o divórcio, a familia muda a sua forma, mas deve manter, no entanto, a sua função de criar e educar a(s) sua(s) criança(s).

O divórcio entre os pais provoca um abalo intenso e profundo, na vida de qualquer criança ou de qualquer jovem.

Mas será antes  a forma que os pais irão escolher para gerir e ultrapassar este período de ruptura e a forma que irão escolher para se relacionar no futuro, que poderão vir a deixar nas vidas das crianças e jovens, marcas mais ou menos profundas, desajustes maiores ou menores, quer a nível psicológico, quer a nível social.

Se os pais não conseguirem fazer uma separação clara entre a relação conjugal que termina e a relação parental que continua, e assim escolherem perpetuar o conflito no tempo, as consequências poderão ser nefastas na vida da criança ou do jovem que o vivencia e que dele não é preservada.

Neste caso, a criança é forçada a viver e conviver com sentimentos que a  inquietam como a angústia de poder vir a ser abandonada pelos pais que se separam, a angustia de saber se será ela a responsável pelo que lhes está a acontecer,  ou ainda a angústia de ser forçada a optar pela posição de qualquer dos pais contra o outro.

As crianças e jovens, que se encontram a viver uma situação de separação ou divórcio dos seus pais, necessitam urgentemente que um novo modelo funcional, uma nova parceria, seja encontrado entre eles, por forma a que:

– elas sejam preservadas, salvaguardadas do conflito que os opõe;

– o seu dia-a-dia seja alterado o menos possivel;

– as suas relações de afecto ( com avós, tios, primos, professores, amigos) sejam salvaguardadas;

– o seu “mundo” seja um “mundo” de regras claras, coerentes e securizantes.

OUSAR MEDIAR, é optar por, com a ajuda de um Mediador Familiar, tomar em mãos a reorganização da vida familiar.

Optar pela Mediação Familiar, tem a ver com a forma que o casal escolhe para ultrapassar os conflitos que opõem os seus membros, priorizando o interesse das crianças ou jovens envolvidos.

A Mediação Familiar, facilitando a comunicação entre os membros do casal, fomenta uma parentalidade responsável, co-responsabilizando ambos os pais pelas decisões que devem ser tomadas sobre o exercício do poder parental, a guarda, os alimentos e o convivio com as suas crianças e jovens.

As decisões, os Acordos a que se chegue desta forma, tendo sido trabalhados entre todos, com um mesmo objectivo, terão um carácter mais permanente, prevenindo situações de incumprimento e criando um ambiente estável, facilitador da adaptação da criança ou do jovem ao novo modelo familiar: a casa da mãe e a casa do pai.

I.  AJUDAR AS  CRIANÇAS E JOVENS A COMPREENDER A SEPARAÇÃO  OU O DIVÓRCIO DOS SEUS PAIS:

  • ALGUMAS SUJESTÕES DE LIVROS:

img1771.jpg

“Os meus pais estão separados mas não de mim.”

Autora: Inês Borges Taveira

Ilustrações: Fernanda Fragateiro

Campo das Letras, Editores, S.A.

Colecção: O Sol e a Lua – 34

 
 
” A separação de um casal implica, geralmente, várias mudanças e decisões, numa altura em que a maior parte das pessoas se sente emocionalmente frágil. Se a familia também inclui crianças, estas têm as suas prórpias necessidades inadiáveis. Por vezes, penso que os pais se devem sentir como malabaristas, com imensas bolas no ar, a tentar não deixar cair nenhuma, embora lhes apeteça, em certas alturas, baixar os braços. De resto, ninguém nos ensinou as regras do divórcio – como ser pai e mãe, sem ser marido e mulher.
Escrevi este livro a pensar nestes pais corajosos que, não obstante a tempestade de mudança e emoção que os envolve, querem construir com os filhos uma nova forma de estar em familia. Nem sempre é fácil, aos pais e aos filhos falar do que lhes está a acontecer – têm medo de se magoar ou de ferirem o outro.  Mas o silêncio, cheio de perguntas não respondidas, angústias não partilhadas e medos não acalmados, deixa-nos sós, a desbravar um caminho que, percorrido em conjunto se torna mais fácil. ”  Inês Borges Taveira

 img1761.jpg

“Sábado. Que vamos fazer hoje?”

Autora: Juliet Pomés Leiz

Editorial Caminho, S.A.

“O Simão está para fazer quatro anos, já começou a ir á escola e tem uma “mascote” – o dinossáurio Joca – que o acompanha para todo o lado. Os pais do Simão vivem em duas casas diferentes porque, como tantos outros casais, estão separados. Com eles, com os seus primos e tios, e com os seus amigos da escola, o Simão que tem sempre muita vontade de brincar e de se divertir, vai descobrir muitas coisas novas.”

“Sábado. Que vamos fazer hoje?

Chega o fim de semana e o Simão quer saber que planos há. Vai passar estes dois dias com o pai, e este imaginou uma coisa muito especial para o Sábado: vai fazer-lhe uma surpresa levando-o a um lugar onde o Simão nunca esteve; com esta actividade e outras, os dois, pai e filho, vão divertir-se juntos.”

divorcioseparacao1

Divórcio e Separação, Como enfrentar a Separação dos teus pais,  de Matthew Whyman, Geração Fixe, Gradiva Júnior

“Por cada cinco casamentos que navegam à bolina dois irão, provavelmente, encalhar nos rochedos… Isto significa que cerca de um quarto dos filhos até aos 16 anos verão o casamento dos pais afundar-se. É um número elevado. Por isso, se fazes parte desse número, lembra-te… Não estás sózinho…”

“Os meus pais separaram-se”

Autores: Paulo Oliveira, Paula Pato

Editora: K Editora Lda.

via Webbom.pt

“Todas as crianças têm medos, dúvidas, ansiedades; pequenas-grandes crises existênciais originadas por situações que não compreendem ou os adultos não sabem explicar na sua linguagem simples.”

“A intenção deste livro é aliviar a ansiedade e dar resposta a essas dúvidas existênciais, através de contos que utilizam códigos verbais~e conceptuais mais próximos do universo de entendimento da criança, comunicados de forma simples, clara e lúdica.”

 SITES COM INTERESSE:

kidsinthemiddle;

kidsturn;

it’s not your fault.

II.  AJUDAR OS PAIS A COMPREENDER COMO AS SUAS CRIANÇAS E JOVENS VIVEM A SEPARAÇÃO OU O DIVÓRCIO.

  • SUJESTÕES DE LIVROS:

img1722.jpg

 As Crianças e o Divórcio – O Diário de Ana – Uma História para os Pais”Autora: Maria Saldanha Pinto RibeiroEditorial Presença

“Contada através do diário ficticio de Ana, uma criança que está a viver a angústia da separação dos pais, esta é uma história sobre o divórcio e as opções á disposição do casal em situação de ruptura, que se destina essencialmente a ser lida pelos adultos.

O que Ana nos conta, acerca dos seus medos, dúvidas, momentos de tristeza e solidão, serve de ponto de partida para, na segunda parte do livro, a autora analisar e comentar os procedimentos dos pais e as reacções das crianças, salientando a importância da mediação familiar como forma de tornar o processo o menos traumático possivel. Porque o fundamental é proteger a criança e preservar a sua estabilidade, este é um livro que se assume como base de apoio e orientação para todos aqueles que procuram um caminho em que os laços de afecto que unem pais e filhos se mantenham firmes e inquestionáveis.

img190.jpg
“Casa da Mãe, Casa do Pai – construir dois lares para os seus filhos, um guia para pais separados,
divorciados ou que voltaram a casar” de Isolina Ricci, Edições Sílabo

DIREITOS REIVINDICADOS PELAS CRIANÇAS E JOVENS QUE VIVENCIAM A SEPARAÇÃO OU O DIVÓRCIO DOS SEUS PAIS:

  1. Toda a criança ou jovem tem o direito de comunicar, em privado, com qualquer dos seus pais, não sendo devendo qualquer deles limitar a comunicação da criança com o outro;
  2. toda a criança ou jovem tem o direito a ser preservada de comentários desagradáveis de um progenitor em relação ao outro;
  3. toda a criança ou jovem tem o direito a ser preservada de qualquer tipo de discussões ou negociações entre os progenitores sobre assuntos que lhe digam respeito;
  4. toda a criança ou jovem tem o direito a ter junto de si ou no seu espaço em casa de qualquer dos progenitores, fotografias do outro progenitor;
  5. toda a criança ou jovem tem o direito a ser preservada de opiniões negativas sobre a personalidade, estilo de vida, valores seguidos, escolha de amizades, sucessos e fracassos de qualquer dos progenitores;
  6. toda a criança ou jovem tem o direito a saber que ocupa um espaço importante na vida de ambos os progenitores;
  7. toda a criança ou jovem tem o direito a que os progenitores procurem cooperar entre si por forma a que ela possa passar com qualquer um deles, tempo de qualidade;
  8. toda a criança ou jovem tem direito a manter correspondência com qualquer dos progenitores, enquanto se encontrar com o outro;
  9. toda a criança ou jovem tem o direito a ter junto de si objectos que a façam lembrar o progenitor com quem não se encontra no momento;
  10. toda a criança ou jovem tem o direito a saber da existência do progenitor com quem não se encontra;
  11. toda a criança ou jovem tem o direito a ser preservada de questões sobre o tempo que passa com qualquer dos progenitores, assim como tem o direito a não ser pressionada para assumir determinado tipo de atitudes junto de um progenitor ou do outro;
  12. toda a criança ou jovem tem o direito a ser preservada de qualquer tipo de comentários desagradáveis por parte de um dos progenitores em relação aos membros da familia alargada do outro progenitor;
  13. toda a criança ou jovem tem o direito a ser preservada de pressões de um dos progenitores para a ter como sua aliada contra o outro;
  14. toda a criança tem o direito a ser preservada de qualquer tipo de comentários desagradáveis ou inspecções sobre a forma um dos progenitores a apresenta ao outro.

%d bloggers like this: